HCC

Transplante Renal renova esperança e reforça a importância do Serviço de Hemodiálise do HCC

24/06/2026

Neste primeiro semestre de 2026, dois pacientes atendidos pelo HCC receberam o tão esperado transplante de rim. Entre eles está Ilgo Odalvo Dickel, de 64 anos, morador de Coqueiros do Sul, cuja história traduz o significado dessa conquista.

 

Nos primeiros seis meses de 2026, o Rio Grande do Sul ultrapassou a marca de mil transplantes realizados, consolidando-se como um dos principais estados do país na área. Dados da Central de Transplantes do Estado do Rio Grande do Sul apontam 367 transplantes de órgãos sólidos — como rim, fígado, coração e pulmão — e 728 de tecidos, incluindo córneas, ossos, pele e medula óssea.

Por trás desses números estão histórias de superação, espera e recomeço. Em Carazinho, o Hospital de Clínicas de Carazinho (HCC) tem desempenhado um papel essencial nesse cenário, especialmente por meio do seu Serviço de Hemodiálise, que atende pacientes renais crônicos e também casos críticos na UTI.

A hemodiálise é um tratamento vital para pessoas com insuficiência renal. O procedimento substitui parcialmente a função dos rins, filtrando toxinas e excesso de líquidos do sangue. No HCC, são cerca de 825 sessões realizadas mensalmente, atendendo aproximadamente 69 pacientes que dependem da terapia três vezes por semana, em sessões que duram cerca de quatro horas.

Mais do que números, o serviço representa uma ponte entre a doença e a esperança. É também a porta de entrada para o transplante renal — considerado o tratamento mais eficaz para muitos pacientes. O HCC mantém convênio com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), referência no estado, possibilitando que pacientes sejam avaliados e incluídos na lista de espera.

Neste primeiro semestre de 2026, dois pacientes atendidos pelo HCC receberam o tão esperado transplante de rim. Entre eles está Ilgo Odalvo Dickel, de 64 anos, morador de Coqueiros do Sul, cuja história traduz o significado dessa conquista.

Ilgo convivia há anos com problemas renais decorrentes da hipertensão arterial. Após acompanhamento médico e tentativas de controle da doença, chegou o momento em que a hemodiálise se tornou inevitável. Ele iniciou o tratamento em setembro de 2025 e, durante cinco meses, enfrentou a rotina intensa das sessões, além da expectativa constante por um transplante.

Foram diversas idas a Porto Alegre, nem sempre com o desfecho esperado. Em uma das ocasiões, já no hospital, recebeu a notícia de que o órgão disponível não seria destinado a ele. Mesmo assim, não desistiu.

No dia seguinte, veio a ligação que mudaria sua vida.

Chamado novamente às pressas, Ilgo retornou à capital e, poucas horas depois, estava no bloco cirúrgico. O transplante foi realizado com sucesso.

“Fui abençoado com um rim novo”, resume, emocionado.

Hoje, alguns meses após o procedimento, ele celebra a nova rotina longe das máquinas. “Ganhei uma nova vida. Só de saber que não preciso mais fazer hemodiálise três vezes por semana já diz tudo”, afirma.

A recuperação exigiu cuidados e adaptações, mas o sentimento predominante é de gratidão. Ilgo faz questão de destacar o papel dos profissionais do HCC e deixa uma mensagem clara: “A doação de órgãos é um gesto de amor. Salva vidas. Se não fossem essas pessoas, esses anjos, eu não estaria aqui”.

O diretor técnico do HCC e nefrologista do Serviço de Hemodiálise, Dr. Darlan Martins Lara, destaca que o Serviço de Nefrologia do HCC sempre manteve um compromisso sólido com o incentivo aos transplantes.

Segundo ele, o convênio com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre tem sido extremamente positivo, tanto para o aprimoramento dos processos quanto para a ampliação das oportunidades de transplante. “Nosso serviço sempre apresentou um número expressivo de transplantes ao longo dos anos, refletindo a qualidade e a dedicação da equipe”, ressalta.

O médico também explica que, quando o paciente desenvolve insuficiência renal crônica e passa a necessitar de tratamento dialítico, ele pode ser candidato a um possível transplante, para o qual existem duas alternativas principais. A primeira ocorre quando há um familiar geneticamente compatível e saudável, caracterizando o chamado doador vivo — nesse caso, obrigatoriamente um familiar. Já na ausência de um doador familiar, o paciente é incluído na fila de transplantes, aguardando um órgão proveniente de um doador com diagnóstico de morte encefálica. Nessa situação, a definição de quem receberá o órgão é feita pela Central Estadual de Transplantes, com base em critérios técnicos e exames de compatibilidade genética, e não pela ordem de inscrição. “É fundamental que a população compreenda esse processo, pois, em alguns casos, pacientes que estão há anos em diálise podem não ser contemplados imediatamente, enquanto outros, com menos tempo de tratamento, podem realizar o transplante antes, conforme os critérios estabelecidos”, explica.

Acerca de doação de órgãos para transplantes, dois aspectos devem ser ressaltados. O primeiro é sobre o ato de doação em si. Dr. Darlan enfatiza a importância de que "se converse sobre doação em casa, com nossos familiares", uma vez que, qualquer retirada de órgãos para transplante só é possível a partir da autorização da família. O segundo, diz respeito a permanente capacitação e treinamento da equipe multiprofissional do HCC na identificação e diagnóstico de morte encefálica e no manejo do potencial doador, bem como, no acolhimento e abordagem a sua família, num momento tão sensível.

Atualmente, 15 pacientes do HCC estão ativos na lista de espera por um rim. Em todo o estado, são 2.978 pessoas aguardando por um órgão, sendo 1.481 na fila renal — a maior entre todas.

Enquanto o transplante não chega, é a hemodiálise que sustenta vidas, oferecendo tempo, estabilidade e esperança.

Histórias como a de Ilgo mostram que, por trás de cada sessão, existe muito mais do que um procedimento médico: existe a persistência de quem luta diariamente por uma nova chance — e a dedicação de equipes que transformam cuidado em vida.

No HCC, essa missão continua todos os dias.

 


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