As notas da esperança: paciente encanta corredores do HCC com seu cavaquinho durante recuperação
Internado desde o dia 30 de maio, Valdir enfrentou dias delicados. Diagnosticado com um quadro grave de pneumonia, também apresentou insuficiência cardíaca, precisando permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) entre os dias 2 e 6 de junho. Foram momentos de preocupação para familiares e para a equipe médica que acompanhou sua evolução.
Em meio aos sons característicos de um hospital, como o movimento das equipes, os equipamentos de monitoramento e os passos apressados pelos corredores, uma melodia diferente chamou a atenção de pacientes, familiares e profissionais do Hospital de Clínicas de Carazinho (HCC) nos últimos dias.
As notas suaves de um cavaquinho ecoaram pelos ambientes da instituição, levando leveza, emoção e esperança para quem as ouvia. O responsável por esse momento especial é Valdir Dias da Silva, de 85 anos, músico há mais de quatro décadas e integrante do Grupo Musical Cesta Básica de Carazinho.
Internado desde o dia 30 de maio, Valdir enfrentou dias delicados. Diagnosticado com um quadro grave de pneumonia, também apresentou insuficiência cardíaca, precisando permanecer na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) entre os dias 2 e 6 de junho. Foram momentos de preocupação para familiares e para a equipe médica que acompanhou sua evolução.
Mas mesmo diante das dificuldades, a música permaneceu ao seu lado.
Companheiro inseparável de uma vida inteira dedicada aos acordes e às canções, o cavaquinho voltou a ganhar espaço assim que a recuperação permitiu. Sentado em seu leito, Valdir dedilhava um autêntico samba raiz, transformando o ambiente hospitalar em um cenário de acolhimento e sensibilidade.
“Esse instrumento sempre foi meu companheiro”, conta o músico, com o brilho nos olhos de quem encontra na arte uma fonte inesgotável de força. E os planos seguem vivos: seu objetivo é estar recuperado para participar de um evento musical ainda no mês de julho.
Para o filho, Marcus Vinicius Machado da Silva, a recuperação do pai também é resultado do cuidado recebido durante a internação. “Foi impecável do início ao fim. Sempre muito cuidadosos, todos os profissionais. Muita humanização. Notava-se que as pessoas estavam entregando o que melhor poderiam para o momento. Não mediam esforços. Isso era notável em todos os leitos, com todos os profissionais”, destacou emocionado.
Para a filha, Valéska Walber, a música sempre fez parte da vida da família. “Meu pai sempre foi músico. Aprendeu a tocar sozinho e as cordas sempre fizeram parte da vida dele, seja no violão, cavaquinho ou banjo. Estar com seu instrumento no hospital fez toda a diferença: foi uma forma de lembrar quem ele é, de tocar, de se reconectar e de encontrar forças para deixar o leito da UTI e estar pronto para voltar para casa. Estamos encantados com a humanidade dos funcionários do HCC e com todo o carinho que recebemos durante os dias em que estivemos no hospital. Os profissionais, muito mais do que prestar atendimento, ofereciam carinho, atenção e demonstravam genuína preocupação com o que o paciente e a família estavam sentindo. Um carinho especial para a doutora Roselei, pela dedicação, profissionalismo e assertividade no tratamento”, destacou.
A cardiologista Dra. Roselei Graebin, médica que acompanha Valdir, explica que a presença da música durante a recuperação vai muito além de um momento agradável. “O uso de instrumentos musicais na recuperação de pacientes vai muito além do entretenimento. É uma ferramenta terapêutica ativa comprovada. A prática acelera a reabilitação, estimula a coordenação motora, reduz a percepção de dor e diminui drasticamente a ansiedade em ambientes hospitalares”, ressalta.
A história de Valdir é uma demonstração de que a recuperação acontece não apenas através dos medicamentos e procedimentos médicos, mas também por meio daquilo que alimenta a alma. Em cada acorde do cavaquinho, há memórias, sonhos e a vontade de seguir em frente.
No HCC, as notas de um simples cavaquinho lembraram a todos que, mesmo dentro de um hospital, a vida continua encontrando maneiras de celebrar sua própria melodia.
![]() |
Notícias Relacionadas
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|





